- Lachnitt, Jorge. "Orelhas". In Chovelon, pe. Hipólito; Fernandes, me. Francisco; Sbardellotto, pe. Pedro. 1996. Do primeiro encontro com os Xavante à demarcação de suas terras. Campo Grande: Missão Salesiana de Mato Grosso.
Nesta publicação divulgamos três documentos da história do povo Xavante em sua versão original, deixando para pesquisadores uma análise crítica e síntese posteriores.
Depois da morte dos padres João Fuchs e Pedro Sacilotti, aos 01 de novembro de 1934, pelos Xavante, a Missão Salesiana de Mato Grosso não suspendeu os esforços por um encontro pacífico com os mesmos, antes liberou uma nova equipe para continuar o empreendimento. Esta nova equipe era composta pelo Pe. Hipólito Chovelon, o Me. Francisco Hernandes, o aspirante a salesiano Pedro Lachat e o auxiliar Ladislau da Rocha Cardoso.
Pe. Hipólito Chovelon mostra em seus Relatórios ao Exmo. Sr. Presidente da República Getúlio Vargas o seu esforço, sucesso inicial por um contato
quase pacífico e insucesso posterior, devido a interferências de "bandeiras", na procura de aproximação do povo Xavante que não poupava seu sangue em defesa de seus direitos territoriais.
Em seu Diário, o Me. Francisco Fernandes descreve o contexto do confronto com os Xavante, citando algumas vítimas não-indígenas do conflito. As
vítimas indígenas ainda aguardam sua memória, por uma história escrita a partir dos mesmos Xavante. Na segunda parte do seu Diário, apresenta uma outra versão das mesmas expedições relatadas pelo Pe. Chovelon.
Após anos de guerras contra invasores, o povo Xavante, dizimado, entregue a doenças e sem condições de prover seu sustento, se entregou ao S.P.I.
e aos missionários para sobreviver.
Tendo se recuperado e voltado a sua alegria de viver com prole numerosa, tratou-se de fazer justiça e devolver-lhe os territórios tradicionalmente ocupados. Pe. Pedro Sbardellotto, a pedido do Ministro do Interior e do Presidente da FUNAI, percorreu todas as aldeias Xavante para coletar informações sobre os direitos reclamados. Com isso ofereceu ao Governo Federal as informações sobre os direitos sobre seus territórios que mais tarde foram reconhecidos parcialmente pela decretação e demarcação da Reservas Indígenas.
Falta concluir ainda este empreendimento do Pe. Sbardellotto, devolvendo ao grupo de Marãiwatséde, de Suia-Missu, seu território do qual foram
deportados sem sua devida anuência.
Assim sendo, estes três documentos mostram um processo ainda em andamento até os dias atuais e poderão contribuir para um desfecho justo dos
direitos dos Xavante sobre seus territórios tradicionalmente ocupados.
Pe. Jorge Lachnitt, coordenador
(das orelhas)




